sábado, 11 de fevereiro de 2017

Titanic

Respiras fundo e preparas-te para o embate. Quando sabes que fizeste asneira e desiludiste a outra pessoa é desta forma que funciona. E assim foi. Durante longos trinta minutos, o tempo que demora a levarem-te a casa, ouves berros, mágoa, tristeza, irritação. O barco bate no iceberg e a água começa a entrar. Tentas desesperadamente tomar medidas, reforças as portas, impedes os pisos mais cimeiros de ficarem alagados mas sentes que há pouco a fazer. Pedes desculpa mas a verdade é que há um fio que sentes ser cortado, a jarra já com alguns estragos a partir-se no chão, o barco a afundar-se e pouco ou nada consegues fazer neste momento para o salvar.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Run forrest run

Comecei a correr. Não queria fazer disto um grande buzz e não o queria admitir tão rapidamente na minha cabeça porque tudo o que magico demais se perde, sempre. Mas bom, já lá vão quatro semanas de correr ao domingo e à quinta-feira por isso de alguma forma está a tornar-se oficial. Na última vez corri 40 minutos seguidos e esforcei-me para não chorar no fim do treino. No que toca ao desporto estou mais que habituada a ser a pior de todos, a ficar para trás, a ser a última a ser escolhida, mas conseguir completar o treino sem parar uma única vez fez-me sentir que afinal não sou menos que os outros e que também consigo.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Afinal o que fazes tu da vida Buu Maria?

Entre outras coisas, neste momento o que me ocupa mais tempo é organização de festas de aniversário. Este fim de semana são 17. Já não aguento os paizinhos com voz anasalada e as suas perguntas ridículas. Dai-me paciência Deus meu!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Ou trabalho demais ou tenho Alzheimer

Estava a procurar um email que a D. me tinha enviado quando, não faço ideia como, encontro uma troca de emails gigante com mais de três anos com aquela pessoa. E o estranho é: eu não me lembro de alguma vez o ter feito. Não me lembro de os ter enviado, de os ter recebido, não me lembro do que senti quando os li. Não aguentei e li tudo, sentindo-me uma estranha a ler capítulos de um diário ou de um livro que não lhe pertencem. De certa forma aquela já não sou eu, ou, se calhar sou mas sinto que trabalhei tanto para deixar de ter aqueles defeitos que me marcavam a personalidade e que eu odiava em mim. Certamente agora terei outros, não duvido. Mas tenho a certeza que a Buu de há três anos ficaria orgulhosa de mim agora e isso é já por si uma vitória enorme.
E, quanto ao livro que acabei de ler...enfim, será e terá sempre acesso a um quartinho muito especial no meu coração.

domingo, 25 de setembro de 2016

Tempo

Faz este mês 4 anos que saí da santa terrinha e que fui viver para Lisboa. Se sei que as mudanças em mim foram consideráveis deveria ter feito um exercício de lógica para compreender rapidamente que ao mesmo tempo que eu mudei, tudo mudou por aqui também. No entanto, tal como só nos apercebemos do crescimento de uma criança quando a mesma já cresceu dez centímetros e não reparamos que o faz um de cada vez, também eu hoje, apenas quase quatro anos volvidos, consigo perceber as diferenças que aconteceram.
Nenhum do meu grupo de amigos do secundário está cá a viver. Eu e outro estamos em Lisboa, a partir de Dezembro três estarão no Porto, dois estão em Coimbra, e a última em Inglaterra.
Do outro grupo de amigos, há dois casais que certamente não faltará muito para casar.
Irmãos de amigas minhas que conheço desde os cinco anos estão agora na Universidade.
Uf, o tempo passa.
Quanto mais me apercebo disto mais me sinto com vontade de dedicar o que tenho livre às minhas pessoas, aos meus amigos, aqueles que me dão um abraço apertado quando chego e quando me despeço, aos que não cobram quando a minha ausência é demasiado prolongada. Cada vez mais chego à conclusão de que tudo isto será superficial, supérfluo, fútil, desinteressante, e sem qualquer objetivo, se não o fizer. E, assim, cada vez mais o prometo para mim própria: é imperativo passar mais tempo com quem me faz bem.

domingo, 31 de julho de 2016

Mas as pessoas de Lisboa é que têm a mania

Se há coisa que me tira do sério é ir tomar café com amigos meus na santa terrinha, sentar-me numa mesa com outras pessoas que conheço de vista e tratarem-me como invisível. Não olham para mim, não dizem boa noite, nem olá, nada. Absolutamente nada.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Passou mais de um ano desde que aqui escrevi. Isto cheira a mofo, pó, e ouve-se eco. Não sei se voltarei a escrever aqui outra vez, tenho sempre vontade mas...já não sei se me identifico. Aliás, sei que me identifico, esta sou eu, não sei é se consigo retomar, se consigo atualizar tudo, e passar para aqui o momento atual em que estou. (Sim, agora vou escrevendo com o novo acordo, que o emprego assim o pede)

Neste ano vi a minha empresa crescer. Quando entrei, há quase quatro anos ninguém conhecia a startup para a qual fui trabalhar. Neste momento é das empresas portuguesas mais conhecidas. Neste ano mudei de departamento, deixei de ter telemóvel da empresa, passei a dormir como deve ser, mudamos de instalações, fui a mais dois casamentos e convidada para outros dois este ano, pensei em comprar um carro e desisti por ser muito caro, apanhei a maior bebedeira da minha vida, gritei palavrões ao meu chefe e ele riu-se, ouvi-o dizer que sou a preferida dele e gelei, discuti muito muito muito no Ikea, organizei jantares, tive a melhor noite de Santo António desde que estou em Lisboa, jantei em restaurantes de luxo, jantei em roulottes, fiz novas amigas, desenvolvi um pensamento organizacional incrível.

Mas este ano, vi muito poucas séries que me interessassem, filmes então ainda pior, não fui ao Teatro, senti-me novamente infeliz no trabalho, e começo a achar que ando só a distrair-me e a ocupar o meu tempo e cérebro para não pensar no importante. No importante que é decidir de uma vez o que vou fazer com a minha vida. Se é ser actriz, se é tirar o mestrado, se é tirar outra licenciatura (esta hipótese ganha força a cada segundo que passa) ou outra coisa qualquer. Preciso decidir. Mas quanto mais penso em decidir mais difícil se torna a decisão. 

domingo, 14 de junho de 2015

Estava para começar a escrever dizendo que já não sei quem sou, mas apercebi-me, ainda a tempo, que isso seria mentira. Na verdade, eu sei bem quem sou, não tenho é tido tempo de o ser.

Trabalho demais. Não sei se é a realidade ou se faço apenas do trabalho o bode expiatório para tudo o que vai mal na minha vida, mas no fim do dia...trabalho demais. Todos os dias estou no escritório antes das 9 e todos os dias saio depois das 19. Trabalho todos os dias há mais de um ano e meio 10h por dia. E isto é agora, porque no último mês do ano faço cerca de 15h diárias. Para piorar, odeio o que faço.

É fácil, assim, fazer do trabalho o meu bode expiatório. Não tenho tempo para ser quem sou.

Não me lembro da última vez que estive (e juro que isto era das coisas que mais adorava fazer) entretida no IMDb a saltar de filmes em filmes, de clássicos em clássicos, de novidades em novidades, de trailers em trailers. Foi certamente há mais de dois anos.

Sinto-me tão cansada que não consigo ir ao cinema durante a semana: das três vezes que tentei adormeci em todas após 10 minutos.

Quero vir mais vezes a casa e não posso: só me apetece dormir ao fim-de-semana. Durmo que me farto até fazer uma cura do sono ou simplesmente deixo-me ficar eternamente na cama, e, quando volto a reparar, já é de novo segunda-feira.

Como não tenho tempo para ser eu, tornei-me outra pessoa que inventei à pressa para estes dias que só têm 2 ou 3h para mim. Sou agora alguém bem mais egoísta, indecisa, pouco determinada, mole, birrenta, preguiçosa, e com muito mau humor.

Estou num ponto em que preciso muito de decidir o que fazer com a minha vida e estou em dificuldades. Tenho de me reunir comigo própria de novo, voltar a ser eu, e perceber o que quero, o que realmente me faz feliz. O pior de tudo é que já não me consigo lembrar de todos os desejos, sonhos e motivos de quando eu era eu.

sábado, 24 de janeiro de 2015

A maior verdade que já alguma vez me disseram

Dói muito. Custa horrores. Mas passa. Tudo passa.


E por mais que não acredites, que penses que é o fim da vida, que só te apeteça pegar na porcaria da dor que tens no peito e deitar fora - bolas, estou farta de te carregar comigo -, que chores mesmo quando toda a gente pensa que já passou (toda a gente chora mesmo quando toda a gente pensa que já passou), vai efectivamente passar. Demora, mas passa. E, até lá, estou aqui, e sabes que podes contar comigo.

2014

Vai então daqui esse recap de 2014 já com 24 dias de atraso.

2014 foi o ano em que finalmente me comecei a sentir à vontade entre o sexo masculino. Foi o ano em que flirtei com uma quantidade maior de rapazes do que em todo o resto da minha vida junta. Passei muitas vergonhas, mas isso fez-me aprender, e aprender a velha máxima "who cares?". 2014 foi também marcado pela desilusão em relação ao meu emprego. Onde eu achava que eram tudo boas pessoas descobri falsidade, maldade, egoísmo, arrogância. O que eu mais adorava é agora aquilo que mais detesto: os meus colegas. 2014 foi ainda o ano em que fiz muita coisa dentro do meu estágio profissional. Foi o ano em que mostrei a mim própria que sou capaz de fazer tanta tanta coisa. Que sou uma das pessoas mais polivalentes daquela empresa. 2014 foi o ano em que fui ao Alive e delirei com Arctic Monkeys, The Black Keys, Bastille, Foster The People, MGMT, Imagine Dragons e The Lumineers. 2014 foi o ano em que encontrei o amor outra vez. Em que o meu aborrecido verão se tornou solarengo e quente. Em que fui passar férias ao Alentejo. Em que fui a um casamento como namorada e adorei. Em que conheci todos os amigos dele e nos demos, surpreendentemente, bem. Em que percebi que ele é um desarrumado como eu, e que nos damos tão tão tão bem. 2014 foi o ano em que vi a minha melhor amiga ir de Erasmus e continuar o namoro, e mostrar-me que o amor existe mesmo à distância. 2014 fechou comigo a achar que ia ter um ataque cardíaco, com a pressão que senti do Natal. Acreditem que sentir o braço esquerdo com dores ou dormente durante semanas é coisa para assustar. Foi também o ano em que chorei de falta de forças para trabalhar mais. Em que achei que simplesmente não conseguia. 2014 foi um ano tão cheio que senti que já tinham passado dois ou três.

2015 começou da forma que sempre quis e nunca tive: com um beijo apaixonado. Sendo assim, o que poderá correr mal este ano?