segunda-feira, 26 de julho de 2010

Frosques

O meu cão morreu. O meu cão idoso, de doze, quase treze (noventa e um em anos de cão), morreu.

Desci as escadas e fui até à cozinha. Inspirei fundo e saí. Não consegui dar mais de dez passos. O som do meu pai a cavar a terra era demasiado assustador. Fiquei ali. Não me mexi um milímetro, não me importei com as lágrimas que me corriam pela face.

O meu cão nunca foi um cão muito bem tratado. Era lavado de vez em quando, mantido no quintal, alimentado uma vez por dia, poucos mimos. Nunca viu uma fêmea. Nunca saiu do nosso quintal. Nunca o conseguimos ir passear. E nunca o conseguimos pôr dentro de um carro para o levar ao veterinário.

Lembro-me bem do dia em que o adoptámos. Tinha cinco anos e ele apareceu à nossa porta ainda muito pequeno. Os meus pais perguntaram na vizinhança se era de alguém; não era. Então ficámos com ele. Gostava tanto de uns desenhos animados chamados Puzzle Park que tinham um cão chamado Frosques que o nome ficou.

O meu cão era um ícone na minha casa. Para a minha melhor amiga, era o Maricas; para os meus sobrinhos uma das coisas que mais ansiam ver cada vez que nos visitam.

Ironia das ironias, quando soube, vejam bem o que estava a ouvir:

Dog Days Are Over - Florence And The Machine

Descansa em paz, meu Frosques. Espero que tenhas uma vida melhor no céu dos cães.

1 comentário:

debbie clementine disse...

Lá vai ter as cadelinhas todas (agora é que vai ser!) e muitos ossinhos cheios de carninha :D está todo feliz agora o frosques.

ly <3

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