sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Os meus pais são os melhores do mundo.



Terça foi dia de jantar de curso. É certo e sabido: dia de jantar de curso, a noite acaba as 23:30 com tudo a vomitar e afins. Então aqui a vossa santa (not!) Buu pensou que queria ir às aulas da quarta-feira seguinte - bastante importantes e difíceis - e tomou a feliz decisão de ir para casa no último autocarro por volta da meia noite.

Já está aqui a vossa Buu na paragem à espera do autocarro quando o telemóvel fica sem bateria. Não faz mal, penso eu, daqui a uns quarenta e cinco minutos já estou em casa. Pois sim. Passados dois minutos de ter entrado no autocarro adormeci que nem uma pedra. Nunca me tinha acontecido.

Pois, então o que é que aconteceu? Dormi mais do que o devido e passei a minha santa terriola e quando acordei - passados uns bons quinze minutos do suposto - já estava noutra terriola. Lindo!

E agora? Pois, Buu estava com telemóvel sem bateria. Buu estava sozinha à noite. Buu estava com medo.

Então uma lâmpada surge na minha cabeça e resolvi perguntar a um rapaz por uma cabine telefónica. Ele lá me disse que não sabe, mas emprestou-me o telemóvel dele - bastante simpático. Telefono para o meu pai: desligado. Telefono para casa, atende a mãe:

Buu: Sim, mãe, olha vim parar à segunda terriola. Adormeci no autocarro, dá para o pai me vir buscar?
Mãe da Buu: Ele foi agora buscar-te à estação da primeira terriola e tem o telemóvel sem bateria mas ele daqui a pouco já deve voltar porque tu não estás lá e já lhe digo para te ir buscar. Tu estás onde?

Ora, a segunda terriola tem duas paragens. E vai-se lá perceber como, a minha mãe percebeu que eu estava numa paragem mais à frente. E sim, quando estávamos ao telefone fiquei com essa ideia, mas não era eu que estava a pagar por isso queria despachar a conversa.

Mesmo que ela lhe tenha dito mal a paragem, o meu pai de carro tem de passar por mim na mesma, por isso não há problema, pensei eu.

Esperei pouco tempo. Conheço bem o som do meu carro e mal o vi a aproximar-se fui para junto da estrada. Pois. O meu pai não me viu. Passou a um metro de mim e não me viu. Repito: ele não me viu. Eu esbracejei, eu gritei. Não serviu de nada. Ele passou ao meu lado e seguiu em frente como se nada tivesse acontecido. E ele estava com o telemóvel sem bateria. E eu também.

Bem, ele chega à outra paragem e vê que eu não estou lá, logo volta para esta paragem à minha procura, por isso não há problema, pensei eu. Eu estava com pensamentos muito bonitos naquela noite.

Ora, passa aí uns cinco minutos - nada. Mais uns dez... pai da Buu nada. Mais um bocado e finalmente percebo. O meu pai foi à terceira terriola - vai-se lá saber porquê - ver se eu lá estava. Pois claro que não estava, eu já estava ali ia para uma hora. Ao frio - e é nestas alturas em que nos apercebemos que a nossa capa é um pequeno milagre do traje.

Passado muito tempo lá apareceu o meu pai. E desta vez viu-me. Não gritei com ele - não fui capaz, só queria ir para casa. E ele também não gritou comigo. Quando cheguei a casa a minha mãe fez questão de me fazer chá e torradas apesar de já ser bastante tarde. E é por isso que os meus pais são os melhores pais do mundo.

Err, pois, quanto às aulas do dia seguinte, acabei mesmo por não ir... Não se pode escapar ao destino, não é verdade?

1 comentário:

debbie clementine disse...

OMGosh!!

já me aconteceu coisa do género xD

adoro saber o nomes dessas terriolas todas (a)

That awesome feeling

Quando ontem à tarde duas pessoas dizem o mais banalmente possível: "Sim, a Buu é das pessoas mais simpáticas desta empresa" A...