quinta-feira, 5 de maio de 2011

piscamos os olhos e, de repente, já passou um ano.

Sei perfeitamente como me sentia há exactamente um ano. Contava os dias para sair daqui. Sabia quantas semanas faltavam até à semana das férias da Páscoa, e depois quantas até à Queima, e finalmente quantas até aos exames que me levariam até às férias. Caminhava de cabeça baixa entre as aulas de física que sempre me deram mais sono que quaisquer outras e o meu departamento em que não conseguia encontrar ninguém com quem me identificasse. Não tinha qualquer propósito em levantar-me mas continuava a fazê-lo. Tinha decidido há pouco tempo candidatar-me à ESTC e mantinha a data das audições na cabeça. Era única coisa que me fazia querer com que o tempo passasse. Esse era o meu mais frequente pensamento. E dava por mim a rezar mentalmente para que conseguisse entrar. O meu mundo estava a precisar de um abanão, e, no meu entender, o abanão necessário era aquele. Estudava pouco, muito pouco. Chegava a casa e via o meu episódio diário de Anatomia de Grey. Pouco depois era jantar e deixava-me ficar as novelas que a minha mãe ainda hoje adora e depois ia dormir. No dia seguinte era igual, a rotina estava sempre presente. Sempre que fazia alguma coisa de diferente (como ver o PortugalxChina por exemplo) reagia com uma excitação exacerbada, era como se me acordassem brutamente do sono pesado que andava a viver.

Há um ano consegui sentir-me feliz em muito tempo. Vesti a minha capa e batina e foi provavelmente a primeira vez que senti que afinal aquilo tudo podia ser meu. Claro que se seguiram muitos dias em que achei que estava absolutamente errada, mas não é isso que estava em causa. No dia da minha primeira serenata nunca vi tanta gente de traje à noite na rua. Era como se tivessem feito uma festa privada e só quem estivesse vestido assim pudesse entrar. E no fundo é isso mesmo. Lembro-me tão bem de ter ficado emocionada quando a minha madrinha me traçou a capa. Eu tinha conseguido conquistar aquilo tudo, e fui invadida por uma sensação de vitória.

Hoje fico chocada com a rapidez com que o tempo passa. Não consigo sequer pensar que para o ano já vou em cima de um carro aos pulos e que depois pum!, já tenho uma licenciatura.

Hoje é o dia de traçar a capa à minha caloira – que o vai deixar de ser nesse preciso momento. E a esta hora estamos a duas - mais a Lu, a Dani, a Rititi e a Dii - à procura de um sítio no meio daquele mar de estudantes e vamo-nos sentir muito muito pequeninas. Sei que ela não sente nada em semelhante ao que eu sentia (ela está tão bem naquele curso como os peixes estão bem na água) mas sei que também vai ser muito importante. E fico estupidamente contente de tomar parte nesse pequeno pedacinho de história da vida dela.

2 comentários:

Suu disse...

"Contava os dias para sair daqui. Sabia quantas semanas faltavam até à semana das férias da Páscoa, e depois quantas até à Queima, e finalmente quantas até aos exames que me levariam até às férias. Caminhava de cabeça baixa entre as aulas de física que sempre me deram mais sono que quaisquer outras e o meu departamento em que não conseguia encontrar ninguém com quem me identificasse."

ai compreendo tudo, mas já estou a um pequeno passinho de ter o mundo nas mãos, agora não é hora de desistir :)

м♥ disse...

Eu nunca pensei em desistir do curso porque acredito que estou no curso da minha vida. foi o que escolhi e está a ser maravilhoso. Contudo, e apesar de não ter ido a tempo de ver a minha primeira serenata da semana da queima, estou a viver esses momentos fantásticos da transição de etapas. todas aquelas emoções, a prova de que tudo o que é feito com esforço ganha um significado ainda mais especial... Não trocava por nada

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