quarta-feira, 24 de julho de 2013

Buu Maria Vs The World

(post muito muito comprido, mas que precisava de ser escrito)

O facto de eu me ir demitir da loja no final deste mês causa um certo desconforto em toda a minha família, e até em muitos amigos meus. Acho que estou praticamente sozinha nesta luta. Bem sei que quando tanta gente nos diz para fazermos o contrário, é porque provavelmente são eles que estão certos, só que neste caso...neste caso, eu acho que simplesmente ninguém me compreende. Ou faz um esforço para tal.

Quando em Outubro passado, vim para Lisboa tirar um curso de teatro, à noite, estava perfeitamente convencida que teria que arranjar um emprego durante o dia, porque os meus pais não são ricos, nem ganharam o euromilhões. Por outro lado, o facto de eu ainda ter pouca formação na área nunca me abriria portas ou audições, ou trabalho que fosse. Sabia que este era um ano para isto: estudar aquilo que mais queria e trabalhar ao mesmo tempo para o poder fazer.

O que ninguém percebe é que esse ano termina agora em Julho. Com excepção de Setembro e Outubro (em que haverão os ensaios e a apresentação da peça final), eu já não preciso daquela loja para nada. Mas toda a gente me insiste em ver que não: que o mercado de trabalho está fechado, que o desemprego é altíssimo, que eu tenho sorte em ter um trabalho, ai a crise - sempre a crise.

Mas vamos lá a ver se esclarecemos uma coisa: eu não quero fazer carreira naquela porcaria de sítio! Nem naquele, nem em nada do género! Para isso estava eu em Coimbra, a estudar! Ainda se fosse um emprego de jeito...mas não é. Nunca vos expliquei porquê, mas em traços gerais posso dizer qualquer coisa como: o patrão não quer saber de nós e delega todo o trabalho em mim, o que não é justo; depois ainda é um mentiroso do caraças; as minhas colegas têm vistas curtas e não têm o mínimo de inteligência e cultura geral, e passar quase um ano com elas está a emburrecer-me (literalmente); a loja não tem livro de reclamações nem licença; as facturas que passamos são ilegais, etc. Há ainda o facto de eu ter descoberto que detesto atender pessoas. Juro. É a pior coisa de sempre. 90% dos clientes são maus. Tratam-nos como se fôssemos lixo e acreditem que ao fim de algum tempo começa a fazer mossa. E, por fim, detesto lá trabalhar porque o horário me fechou portas a tudo: a audições, a ir a casa, a fazer amigos. A minha vida passou a girar à volta da loja, e não era suposto.

Agora que já expliquei tudo, sei bem qual é a questão que fica no ar: então mas o que vais fazer para o ano? Bom, é aqui que cai a bomba na minha família, com toda a gente a pôr as mãos na cabeça e a dizer 'ai jesus'. Ora bem: para o ano vou tentar que o curso que tirei e as peças que fiz me façam valer de alguma coisa. Vou-me pôr a mexer, percebem? Vou mandar fotos e currículos para tudo o que é agência, vou fazer audições até à exaustão, e eu sei que se me esforçar muito muito muito, alguma coisa vai começar a aparecer.

E se não aparecer? Bom, posso sempre arranjar um part-time que não me leve tanto tempo como este trabalho levava. É aqui que toda a gente diz que vou falhar, o que é bastante animador como podem imaginar. Mas... se não conseguir mesmo, no fim do ano volto para Coimbra, satisfaço a vontade aos meus pais e a todos os outros e tiro o mestrado.

Se estou a arriscar muito? Estou, pois. Mas só tenho 20 anos e se não for agora quando é? Parece que ninguém consegue perceber isto.



6 comentários:

м♥ disse...

pois eu acho que é a decisão certa! Se é o que queres, se esse emprego só te causa problemas e tens possibilidade de fazer outras coisas, porque não? Força com isso!

Colored girl disse...

Tens mesmo toda a razão... E a frase mais acertada que escreveste foi no final: "e se não for agora, quando é?" Depois não vai ser. Go for it.

Inês disse...

Infelizmente percebo perfeitamente os dois lados. Depois de me despedirem da ZON estive um ano à procura de trabalho e ninguém me chamou para nada.. Lojas, cafés, recepcionista, tudo o que possas imaginar eu tentava para poder conciliar com o curso e quase nem para entrevistas me chamavam. Estive um ano só a receber o subsídio de desemprego até que finalmente me tive de render e voltar a enviar currículos para call-centers porque realmente é a única coisa que se arranja. E digo-te, numa só semana fui quase a mais entrevistas do que num ano inteiro.
Mas se pudesse escolher, se tivesse outra hipótese, preferia ter ficado sem nada até conseguir encontrar 'aquela cena'. Percebo perfeitamente a tua situação porque também já passei por ela e, infelizmente, tive de me sujeitar de novo. Sem dúvida que é importante termos trabalho, mas se há alternativas é ainda mais importante pensarmos no nosso bem-estar.
Resumindo, força nisso :) daí para a frente alguma solução se há-de arranjar!

Buu disse...

Muito obrigada pela vossa força meninas! É muito importante para mim :)

Ce Morena disse...

Compreendo perfeitamente o que dizes. És demasiado nova para perderes as oportunidades que podem estar à tua frente! Já provaste ser uma menina lutadora e esforçado ao manter esse trabalho que detestavas. A tua familia deverá de se orgulhar de ti. Penso estar na hora de lutares por ti. E se o curso está terminado, lança-te às audições e ao enviou de curriculos! :D Arrasa com eles miúda!! (:

Pam disse...

Agora percebo porque é que não podes ir ver La Roux em Outubro... Força nisso miúda :)

Aos 25

Passei a meia-noite de 7 em Budapeste com uma das minhas melhores amigas e foi o melhor dia de anos de sempre. Entre almoçar McDonalds e jan...