He's just not that into you ou o momento mais constrangedor de toda a minha vida

Parece que sim, que há novidades sobre aquilo que escrevi aqui abaixo. Antes de tudo é preciso caracterizar o tipo de quem falei. Sim, há mais a saber do que apenas que tem uns olhos verdes que me matam e que é um simpático. É coreógrafo e dançarino, e é todo desportivo, como a profissão o faz ser.  Já apareceu na televisão durante algum tempo, e à conta disso tem a conta de facebook completamente cheia de amigos, sendo impossível adicionar mais alguém.

Mas eu, depois do breve encontro de domingo, e com uma boa dose de coragem, resolvi mandar-lhe uma mensagem no facebook cheia de piada a dizer que ele era todo social e que como não dava para o adicionar, deixava simplesmente um olá.

Não me respondeu e fui dormir. No dia seguinte, depois da hora de almoço, resolvo voltar a verificar a mensagem e pumba: "vista às 23:59" mas resposta... nicles. Pronto, tinha levado ali uma tampa, mas pensei que ao menos tinha tentado e agora já podia seguir em frente sem andar a pensar mais no assunto. E, honestamente, não me importei mais.

No dia seguinte um investidor importante iria à minha empresa portanto tudo teria de estar em ordem. Seriam umas sete da tarde quando me levantei para arrumar a minha secretária e comecei a pegar nos pratos de toda a gente para levar ao bar (sim, nós comemos muitas vezes o lanche em frente ao PC). Voltei, sentei-me e respondi aos emails que tinha pendentes. Preparei-me para ir embora, mas achei que era melhor ir à casa de banho primeiro. No meu edifício funcionam várias empresas, por isso a casa de banho do meu piso estava cheia. Resolvi ir à do andar de cima. Subo lentamente as escadas e penso no que é que tenho de trazer vestido amanhã...uma saia, possivelmente.

Subo o último degrau e os meus olhos não acreditam no que vêem.

Ele está ali com uns amigos sentados a uma mesa. É mesmo ele. Pânico. Pânico! Pânico! Tentei andar para trás e descer as escadas, mas tarde demais, ele já me tinha visto - o que ainda tornou a situação mais ridícula. Vêm-me à cabeça todos os nomes que me lembro e penso em qual seria a probabilidade de o encontrar num edifício de desenvolvimento tecnológico àquelas horas da tarde: nenhuma.

Lentamente avanço para o cumprimentar, ele levanta-se e muito sorridente dá-me dois beijinhos. Eu só quero um buraco. Lá lhe explico que trabalho ali (não vá pensar que o ando a seguir) e que por acaso, ia agora à casa de banho - pormenor completamente estúpido de esclarecer. Ele diz que está numa reunião com colegas para um novo projecto. Silêncio constrangedor. Até que põe o dedo na ferida:

Eu acho que recebi uma mensagem tua ontem, não foi? 

Amaldiçoei-me de morte. Sim, sim, mandei.

Eu tentei adicionar-te, mas realmente já tenho muitos amigos, alguns deles nem conheço até. Eu adiciono toda a gente e depois é assim, ahahahah. Mas vamos falando, vamos falando.

Se não conhece algumas pessoas bem que as podia eliminar e adicionar a mim não era? Fez-me sentir pior ainda. Disse-lhe que sim, sorri e despachei-o. Só queria fugir, esconder-me, e esquecer que aquilo estava a acontecer. Lá me deu mais dois beijinhos - estava muito simpático. Devia ser só peso na consciência.

Fugi dali o mais depressa que pude, e enterrei-o num buraco bem fundo da minha memória. Tudo o que eu queria menos era voltar a vê-lo.

Mas não é que depois daquilo tudo, o homem chegou a casa e respondeu-me? Já eu fiquei sossegada, que de humilhações já tive que baste.

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