domingo, 14 de junho de 2015

Estava para começar a escrever dizendo que já não sei quem sou, mas apercebi-me, ainda a tempo, que isso seria mentira. Na verdade, eu sei bem quem sou, não tenho é tido tempo de o ser.

Trabalho demais. Não sei se é a realidade ou se faço apenas do trabalho o bode expiatório para tudo o que vai mal na minha vida, mas no fim do dia...trabalho demais. Todos os dias estou no escritório antes das 9 e todos os dias saio depois das 19. Trabalho todos os dias há mais de um ano e meio 10h por dia. E isto é agora, porque no último mês do ano faço cerca de 15h diárias. Para piorar, odeio o que faço.

É fácil, assim, fazer do trabalho o meu bode expiatório. Não tenho tempo para ser quem sou.

Não me lembro da última vez que estive (e juro que isto era das coisas que mais adorava fazer) entretida no IMDb a saltar de filmes em filmes, de clássicos em clássicos, de novidades em novidades, de trailers em trailers. Foi certamente há mais de dois anos.

Sinto-me tão cansada que não consigo ir ao cinema durante a semana: das três vezes que tentei adormeci em todas após 10 minutos.

Quero vir mais vezes a casa e não posso: só me apetece dormir ao fim-de-semana. Durmo que me farto até fazer uma cura do sono ou simplesmente deixo-me ficar eternamente na cama, e, quando volto a reparar, já é de novo segunda-feira.

Como não tenho tempo para ser eu, tornei-me outra pessoa que inventei à pressa para estes dias que só têm 2 ou 3h para mim. Sou agora alguém bem mais egoísta, indecisa, pouco determinada, mole, birrenta, preguiçosa, e com muito mau humor.

Estou num ponto em que preciso muito de decidir o que fazer com a minha vida e estou em dificuldades. Tenho de me reunir comigo própria de novo, voltar a ser eu, e perceber o que quero, o que realmente me faz feliz. O pior de tudo é que já não me consigo lembrar de todos os desejos, sonhos e motivos de quando eu era eu.

sábado, 24 de janeiro de 2015

A maior verdade que já alguma vez me disseram

Dói muito. Custa horrores. Mas passa. Tudo passa.


E por mais que não acredites, que penses que é o fim da vida, que só te apeteça pegar na porcaria da dor que tens no peito e deitar fora - bolas, estou farta de te carregar comigo -, que chores mesmo quando toda a gente pensa que já passou (toda a gente chora mesmo quando toda a gente pensa que já passou), vai efectivamente passar. Demora, mas passa. E, até lá, estou aqui, e sabes que podes contar comigo.

2014

Vai então daqui esse recap de 2014 já com 24 dias de atraso.

2014 foi o ano em que finalmente me comecei a sentir à vontade entre o sexo masculino. Foi o ano em que flirtei com uma quantidade maior de rapazes do que em todo o resto da minha vida junta. Passei muitas vergonhas, mas isso fez-me aprender, e aprender a velha máxima "who cares?". 2014 foi também marcado pela desilusão em relação ao meu emprego. Onde eu achava que eram tudo boas pessoas descobri falsidade, maldade, egoísmo, arrogância. O que eu mais adorava é agora aquilo que mais detesto: os meus colegas. 2014 foi ainda o ano em que fiz muita coisa dentro do meu estágio profissional. Foi o ano em que mostrei a mim própria que sou capaz de fazer tanta tanta coisa. Que sou uma das pessoas mais polivalentes daquela empresa. 2014 foi o ano em que fui ao Alive e delirei com Arctic Monkeys, The Black Keys, Bastille, Foster The People, MGMT, Imagine Dragons e The Lumineers. 2014 foi o ano em que encontrei o amor outra vez. Em que o meu aborrecido verão se tornou solarengo e quente. Em que fui passar férias ao Alentejo. Em que fui a um casamento como namorada e adorei. Em que conheci todos os amigos dele e nos demos, surpreendentemente, bem. Em que percebi que ele é um desarrumado como eu, e que nos damos tão tão tão bem. 2014 foi o ano em que vi a minha melhor amiga ir de Erasmus e continuar o namoro, e mostrar-me que o amor existe mesmo à distância. 2014 fechou comigo a achar que ia ter um ataque cardíaco, com a pressão que senti do Natal. Acreditem que sentir o braço esquerdo com dores ou dormente durante semanas é coisa para assustar. Foi também o ano em que chorei de falta de forças para trabalhar mais. Em que achei que simplesmente não conseguia. 2014 foi um ano tão cheio que senti que já tinham passado dois ou três.

2015 começou da forma que sempre quis e nunca tive: com um beijo apaixonado. Sendo assim, o que poderá correr mal este ano?

That awesome feeling

Quando ontem à tarde duas pessoas dizem o mais banalmente possível: "Sim, a Buu é das pessoas mais simpáticas desta empresa" A...