sábado, 10 de junho de 2017

Let it be

De alguma forma, e nos meus poucos anos de vida nunca consegui ter os pratos da balança equilibrados. Quando estava a ser bem sucedida no secundário, sofria de solidão e de baixa auto-estima, quando entrei para a universidade e detestei o meu curso, conheci e apaixonei-me por uma das pessoas mais extraordinárias que já conheci até hoje, quando tudo acabou, mudei-me para Lisboa fazer aquilo que sempre quis. Quando arranjei um emprego por cá detestável, encontrei quem eu achei que iria ficar para o resto da minha vida.

Finalmente achava agora que os pratos da balança se iriam equilibrar: luz ao fundo do túnel profissional, comecei a gostar de mim a sério e a tratar-me bem, e as coisas com o H. estavam boas. Bastante boas até.

Vejo agora que foi um bom sentimento mas que apenas foi real durante alguns meses. Na verdade, foram apenas meses em que me iludi sobre o comportamento do H., e aqueles em que excluí as atitudes impulsivas e explosivas dele para um canto do meu cérebro que não uso frequentemente.

Mas...ultimamente, o saco tem vindo a encher, e na quinta-feira, aconteceu a gota de água que fez transbordar o copo. Dei graças a Deus de ele ter tirado férias na sexta-feira e em toda a semana que aí vem e ter ido para Coimbra, só eu sei o que preciso de um descanso mental de tanta negatividade junta. Não sei o que nos vai acontecer no final desta semana, mas estou em paz (acho). Olho para as paredes da casa e penso se serão os últimos dias que estarei aqui. Penso na viagem para Tenerife que temos marcada para dia 27 deste mês e não sei se vamos lá chegar. Estou cansada, esgotada, farta mesmo de ser desvalorizada, ignorada, tratada abaixo de cão. Tenho pena, a nossa relação parecia tão brilhante ao início, como se finalmente tudo aquilo que eu merecia estivesse finalmente a acontecer. O meu príncipe tinha finalmente chegado, e tratava-me bem, mesmo muito bem. Mas tudo esmorece e a pouco e pouco começa-me a tratar como trata todos os outros. Neste momento, o desfecho é o preço a pagar por ter ignorado aquilo que eu sempre soube: o H. é a pessoa que conheço que tem pior feitio.

Só quero agora que esta semana passe bem devagarinho e que me traga alguma paciência, calma, mas principalmente sensatez. No final destes dias quero ter chegado a uma conclusão, ou que ambos cheguemos a uma conclusão. Se vamos daqui juntos e mais fortes ou se decidimos que o caminho separados será o acertado.

2 comentários:

м♥ disse...

Penso que o ´titulo e a música não podiam ser mais apropriados. Let it be. Logo se verá no que dá. Desde que seja para melhor, seja qual for o desfecho, é tudo o que importa.

Anónimo disse...

Ah, já estive nesse mesmo lugar (com as férias marcadas e tudo!).
Chegamos às férias, usufruímos das férias, e poucas semanas depois também passamos a usufruir da vida de solteiros.
A explosividade não passa, não "muda", não controlamos. Ou nos conseguimos ajustar a essa característica (e só vale a pena o esforço se for moderada), ou temos de nos afastar... Não é possível conviver com isso, tenho agora essa ideia...

Espero que, qualquer que seja a situação, encontres o mais importante: paz de espírito.

Um beijinho

Aos 25

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