De momento, está-me a atingir e de que maneira, a falta de amor que tenho ao meu curso. Ao curso, aos professores, às cadeiras, às pessoas, à praxe, a Coimbra. Não me interpretem mal, gosto muito de Coimbra, mas a cidade é como família. E pela família temos amor incondicional. Está-me a fazer falta a novidade, a descoberta, sítios novos para ir, caras novas para ver, coisas que eu queira de facto aprender. Está-me a fazer falta uma cidade que me apaixone e que eu acorde todos os dias com um sorriso só porque vivo nela.
A verdade é que não sinto que nada daquilo seja meu. Não me sinto propriamente especial quando passo pelas portas do meu departamento, quando vejo os azulejos azuis da parede que já sei de cor, quando me sento nos bancos do corredor, quando entro no bar minúsculo, quando me sento na esplanada a apreciar o sol, quando me sento nos bancos giratórios dos laboratórios, quando foco o microscópio. Nada daquilo é meu. O traje - a capa e batina, para ser correcta - é bonito e gosto do vestir. Gosto de fazer parte da vida académica, mas sinto-me sempre uma intrusa. Nada daquilo me pertence.
Acima de tudo, não sinto que esteja a aproveitar cada dia como é suposto.

